Aluno 105
Reescrita
Sábado,
12 horas, mochila nas costas, duas sacolas nas mãos, cheia de casacos e mantas
pra suportar os ventos cortantes do inverno da capital do estado do Rio Grande
do Sul. Atrasada para uma reunião importante, caso de vida ou morte. Todo
sábado é a mesma história. Sair pra pegar, na estação rodoviária, o trensurb.
Normalmente,
tudo corre bem, mas neste dia, pôs sua habilidade à prova. E é isso que vai
ensinar: como se esgueirar, cheia de coisas, pela porta deslizante do trem. De
maneira muito perspicaz e que não convém descrever aqui, passa-se pelas
escadas, pela bilheteria, pelas roletas e pelo comprido corredor, para chegar
ao último nível, logo após a escada rolante: a plataforma.
Parece
uma tarefa simples, ‘é só atravessar a plataforma, um pé após o outro, correndo
e pronto’. Pois não é. Assim que acaba a íngreme subida da escada rolante, há a
necessidade de se calcular a distância entre onde se está e a parte interna do
vagão, tudo isso em função do tempo até o apito soar, a luz vermelha acender e
a porta de fechar. Todo esse cálculo leva segundos, aqueles segundos de
impacto, de choque quando você sente o vento frio (que não podia ser sentido
antes, no corredor protegido) na parte de trás do pescoço.
Cálculo
mental feito, chega a hora de correr desviando dos obstáculos, também
conhecidos como transeuntes despreocupados. A técnica consiste em elevar as
sacolas o mais próximo da cabeça possível e dar passos curtos, respirações
entrecortadas. Dessa forma, é mais fácil
não bater de frente em outrem.
Normalmente,
nesse meio tempo o famigerado apito de fechamento das portas soa, e aí, é
necessário aplicar a técnica dos passos largos, meio pulados, que consiste,
basicamente nisso: aumentar a distância dos seus pés e fazer isso de maneira
meio ‘pulada’, utilizando mais a ponta dos pés. Por último, logo após passar-se
a faixa amarela no chão (indicativo de muita proximidade), é necessário girar o
corpo lateralmente com muita destreza, lembrando-se de abaixar as sacolas.
Cuidado! Nesse momento a mochila pode escorregar do ombro! Para que isso não
aconteça, no momento que baixar as sacolas, leve uma das mãos diretamente à
alça da mochila. Ufa, parece que tudo deu certo! Conseguiu-se passar raspando
pelas laterais da porta que se fecham. Inacreditavelmente, encontra-se no
interior lotado de um trem, cheia de mantas e casacos, com duas sacolas na mão
e sua mochila nas costas, às 12 horas e cinco minutos de um sábado.
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