Aluno 70
1 Versão
O Brasil é um país de grandes contrastes, certos atos
precisam ser demonstrads para a sociedade, comprovando que tais
"funcionam". Um simples exemplo disto, é o fato do alistamento
militar obrigatório, para homens, a partir dos dezoito anos. Meus objetivos
eram muitos e nenhum deles incluia ser um soldado. Naquela época, possuia um
estilo "diferente". Usava apenas camisetas de bandas musicais e um
cabelo, quase, até a cintura. Contra a minha vontade, me alistei.
O
prédio do alistamento militar ficava no bairro Santana, lembro-me até hoje. Era
uma rua pacata, com algumas árvores e com diversos garotos indo em direção ao
prédio requisitado. Apresentei meu documentos e em Outubro, daquele ano (2013),
me apresentei na junta militar do Centro de Porto Alegre. Cheguei cedo no
local, conforme solicitado, e uma bateria de exames foi feita. Foi ,então,
socilitado que voltasse em Janeiro do próximo ano no 3º BCOM de Porto Alegre (batalhão de
comunicações). Novamente, passei por uma bateria de exames, sendo estes ,
físicos e psicológicos. Até uma entrevista foi feita. O soldado perguntou - me
se eu gostaria de "servir", logo, disse que não e apresentei os
motivos. Eram eles: Trabalho, foco no vestibular e até problemas familiares (meu
pai possuia problemas cardíacos). O soldado, com um belo sorriso no rosto
mostrou- se compreensivo, apertou-me a mão e pediu que eu chamasse o próximo
rapaz a ser entrevistado.
Durante
alguns dias fiquei apreensivo, querendo saber o desfecho desta trama, servirei
ao exércitou ou não? O dia chegou, peguei um ônibus cedo e fui em direção à
base militar que ficava na Avenida Serraria , sendo que , moro no Centro e
possui uma base militar nas proximidades da minha casa, um fato de certo,
irrevelante para tal corporação. Todos os garotos, ali presentes, foram
separados, quando me deparei, já estava aprendendo a marchar, ou seja, eu iria
servir ao exército pelo período de um ano. Naquelo exato momento, uma péssima
semana ,daquele ano, iniciou-se. Todos os outros "recrutas" ao redor
estavam espantados, alguns ali nem queriam ser soldados, estavam simplesmente à
força. Particularmente, desprezo ter de fazer algo sendo contrário a minha
vontade. Cada garoto apresentava um passado diferente nos olhos, cada um com
suas diferentes histórias.
Obviamente,
eu imaginava uma visão totalmente "troculenta" daquela corporação, na
qual se provou estar correta. Não por possuir uma visão de esquerda (comunista)
a respeito do mundo, pelo contrário, é por ter estudado a história e saber os
vinte e um "longos anos" que nosso país passou sobre a vigilância de
tais homens. Caso eles descobrissem meus padrões políticos, poderia sofrer
algum tipo de represália, portanto, permaneci em silêncio total. Os soldados
eram totalmente agressivos com os recrutas, usavam qualquer tipo de agressão,
sejam psicólogias ou "quase" físicas (empurrões). Ofensas pareciam
ser algo normal naquele ambiente propício ao fascismo. Minha boca queria
gritar, mas minha mente dizia que não deveria cometer tal ato, seria praticamente
suícidio.
Por
alguns dias, esta foi a minha rotina. Acordar cedo e me dirigir à base. No
último dia daquela experiência, de apenas uma semana. Depois de ter aprendido a
marchar, ter decorado as hierarquias e como posicionar- se perante um superior,
descobri no final, daquela manhã nublada, que tudo aquilo era uma pequena e
inútil experiência. Ainda neste último dia, fui enviado a "sala" do
barbeiro, para raspar minha longa e divina cabeleira.Meu cabelo que permanecia
intacto por longos sete anos foi totalmente destruído. Em estado de choque
fiquei. Presenciei todos aqueles fios caírem em "câmera lenta".
Estava chorando psicologicamente. Logo após tal episódio, meu nome foi chamado
por um dos oficiais. Em prantos, fui enviado à sala do Coronel responsável pela
base. Havia mais quatro garotos comigo, na sala do Coronel. Foi então dito a
nós que tudo aquilo foi apenas uma experiência e estavamos sendo incorporados
como "majorados" (termo que designa um soldado da reserva em um
período de seis meses).
No
final das contas, pensei comigo mesmo no trajeto da volta no ônibus, estou
completamente careca e com vários questionamentos a respeito daquela semana. Os
militares me proporcionaram tal experiência por qual motivo? Eles apenas
queriam tirar "sarro" da minha cara ou a realidade não faz sentido
algum? Enfim, um episódio um tanto traumático na vida de um rapaz um tanto
dramático.
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