Aluno 70
Reescrita
Independente do seu nível intelectual ou acadêmico,
determinados questionamentos sempre seram difíceis de serem caracterizados.
Talvez, eu apenas seja um garoto de Porto Alegre, filho de um eletrecista e de
uma dona de casa, crescendo em um meio hostil, onde pessoas sem atitude (como
eu) não possuem oportunidades. Devido a este pequeno espaço de oportunidades,
neste imenso mundo, acabei por desenvolver determinados gostos. Na
adolescência, fugir do mundo real era um dos meus passatempos prediletos. Nas
páginas dos quadrinhos, eu poderia ser o "ideal" do humano perfeito,
sem defeito algum, demonstrando o melhor da humanidade. Perante à sociedade eu
era fraco e indefeso, mas nos livros, eu me imaginava sendo um forte cavaleiro,
o qual, salvaria o mundo de uma catástrofe eminente.
Uma
das minhas maiores dificuldades, ou talvez característica, é definir meus
padrões sociais, estéticos ou ideológicos em determinadas situações, sendo
aquela pessoa que fica "em cima do muro". Sempre fui péssimo em ter
de definir ou caracterizar algo, acabando por ficar em um eterno devaneio de
palavras. Poucas são as certezas presentes em meu cotidiano. Desde criança, possuo
um alto nível de timidez, indecisão e pessimismo em relação à sociedade e meus
deveres nela. Talvez, eu seja "pessimista" pelo fato de ter passado
uma grande parte da minha infância com meu tio (único tio por parte de pai).
Ele possuia uma visão mundana um tanto quanto "peculiar". Ele era um
homem extravagante, com fortes opiniões a respeito de tudo (política, futebol
ou até culinária). Quando eu tinha onze anos de idade, ele veio a falecer.
Desde sua morte, tudo mudou. Minha personalidade tornou - se completamente
diferente e obscura, acabei por me tornar um garoto solitário e tímido,
desenvolvendo um alto nível de depressão, tendo uma vida conturbada. Durante
anos, a sensação que eu tinha perdido meu melhor amigo se manteu constante.
Poucas eram as motivações para continuar.
Provavelmente,
por possuir pouco senso de liderança e não ser “tão” desinibido (muito menos
popular em certos meios sociais), me dediquei aos estudos e deveres escolares.
Tal tio, citado anteriormente, era um professor de história aposentado.
Provavelmente, minha paixão pelo ensino tenha sido herdada dele. Durante alguns
anos almejei o sonho de ser um historiador (assim como ele), porém, minha
paixão pela linguística era maior ainda. Escolher ser professor sempre foi um
paradigma muito forte no meu cotidiano. Meus pais nunca apoiaram tal ideia.
Porém, a paixão pelo ensino é mais forte que qualquer contradição familiar. O
desejo de mostrar a outros jovens um mundo inteiramente novo, contido em
pedaços de papel com infinitas possibilidades, guiou-me ao curso de Letras.
Cursando Letras, não estou apenas seguindo os passos de um grande homem, ou
então, não pretendo apenas ser um "simples" professor de literatura,
porém, quero contribuir com um pensamento crítico a respeito do sistema e suas
diversas diretrizes, questionando por qual motivo somos induzidos a sermos quem
somos.
Eis
minha personalidade hoje: Um observador da modernidade, um crítico do sistema,
uma pária social. Acima de tudo, sou alguém mais decisivo, com uma eterna
paixão pelo conhecimento. Posso, até dizer, que sou um homem
"realizado". Devo isto ao fato de ter encontrado algo que gosto,
seguindo os passos de uma pessoa que amei com todas as minha forças, sendo o
ensino, em minha vida, uma paixão ascendente.
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