ALUNO 137
REESCRITA
Ao ser pedida para fazer um texto com o tema
de ‘’Como comecei a escrever’’, uma enchente de ideias e pensamentos me
atingiu, já que o processo de escrever sempre foi algo presente em minha vida,
porém, o texto ser sobre o meu
processo de escrita é o maior problema, já que eu não sei falar sobre mim.
Encarei o tema como o processo de escrita emocional, o que eu tenho mais
memórias e que marcou a minha construção como pseudoescritora – se é que esse termo existe. As palavras sempre me
encantaram, desde criança tive a curiosidade em aprender a escrever e quando o
fiz, nunca mais parei, conforme fui crescendo escrever tornou-se quase uma
necessidade fundamental, uma paixão que foi descoberta.
Essa
paixão, se concretizou um pouco mais quando fui apresentada aos contos e
crônicas, estes tornando-se meus gêneros textuais favoritos. No Ensino Médio,
lembro sempre de andar com uma agenda meio velha embaixo dos braços, na
tentativa de dar um ar de seriedade a minha pose de escritora, já que aos 14
anos de idade dizer por aí que seu hobby é escrever não é muito bem visto e não
tem muita credibilidade, as pessoas já fazem aquela expressão de ‘’Como assim escrever? Escrever o quê? Me
mostra!’’ e aquele pânico de lerem o que eu escrevia vinha automaticamente,
me fazendo sorrir amarelo e falar que não tinha como, já que nenhum dos meus
textos estava ali comigo, mesmo a agenda estando descaradamente em meus braços
e eu ter passado uma manhã inteira de aulas rabiscando nela como se minha vida
dependesse daquilo. O meu medo era, ao mostrar minhas histórias tão tristes,
com personagens tão cheios de carga emocional que os mais ligados a literatura
iriam pensar que eu estava plagiando a Clarice, todos começassem a me
questionar se estava tudo bem, se eu precisava de ajuda, uns conselhos, igreja.
E a resposta seria um enorme não. Eu estava bem, ótima e sorridente como
sempre, piadista como sempre, só os meus eu-líricos que eram tristes, quando
aprendi o significado de eu-lírico minha vida mudou, eu havia entendido que
estava tudo bem pôr no papel uma visão de uma pessoa que não tinha
absolutamente nada a ver com a minha visão, e que aquilo não era mentir ou ter
dissociação de personalidade, a literatura tinha essa magia de transpor a
realidade e, com certeza, isso só aumentava aquela paixão de perder horas
escrevendo e escrevendo. Óbvio, nenhum autor, nem mesmo a Clarice – eu acho e
espero – consegue separar sempre o eu-lírico do autor e, meus textos por muitas
vezes eram o reflexo dos meus sentimentos na época, escrever sempre foi minha
válvula de escape e minha impressão era que ao pôr os sentimentos ruins,
indesejados e os problemas em um papel eles tinham mais chances de serem
resolvidos do que se apenas ficassem na minha cabeça.
Conforme fui escrevendo, outro problema
surgiu: as críticas. Já sabia que escrever doía mas ser criticada doía e dói
mais ainda, como alguém que não fala de si mesma vai ouvir que seu conto, feito
com tanto amor e carinho, tinha tais e tais problemas de concordância nominal?
Por muitas vezes fiquei emburrada e brava ao criticarem minhas criações,
dizendo que era por aquele motivo que eu não mostrava para ninguém o que fazia,
mas hoje vejo que essas críticas foram muito cruciais no meu amadurecimento
como a pseudoescritora, o texto tem de ser lido por alguém em algum momento,
até por que, se a Clarice tivesse decidido que não iria mostrar para ninguém
suas histórias introspectivas, o que seriam de nós, meros mortais? Ou melhor,
de mim, que sou a maior entusiasta dela. Mesmo a escrita sendo minha válvula de
escape, não ter um leitor era algo impossível e digo que todos que até hoje
leram e me criticaram tiveram uma participação no meu amadurecimento.
Meu processo de escrita foi muito mais pessoal
do que mecânico, meus pais sempre disseram que desde sempre escrevi mas o
processo de escrever as minhas histórias com plena consciência das mesmas foi o
ponto marcante em minha vida. Por um tempo, assombrada pelo mal do século –
procrastinar – minha relação com a escrita esfriou e demos um tempo, mas agora,
cursando Letras, ela voltou e eu lembrei de como é bom escrever e organizar
minhas ideias no papel, além do sentimento, hoje tenho a teoria que, do
contrário ao que eu pensava, não é um empecilho mas mais uma forma de aprimorar
os textos.
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