Por Aluno 18
Morte: cessação definitiva, ausência da vida. Palavra tão temida e evitada. O
que ela pode ensinar a alguém além de sofrimento? Uma tarde de junho de 2005
ensinaria mais tarde.
A menina
levantou assustada e chorando depois de um pesadelo. Ainda de pijamas, a garota
implorou à tia para que fosse com ela em um lugar. Porém, sua tia disse que já
era tarde e a menininha precisava preparar-se para ir à escola. Havia muita
coisa a fazer em pouco tempo: os temas, tomar banho, almoçar. Chateada, ela
obedeceu. Arrumou-se e partiu para a escola na parte da tarde, seguindo o
caminho oposto ao que havia implorado para sua tia levá-la. Alguma coisa dizia
a ela que não seria um bom dia. Na escola, pouco se animou. Quando fugiu da
sala de aula, encontrou seu pai caminhando em direção a ela. Os olhos dele
estavam cheio de lágrimas. O pior de seus medos havia se concretizado: sua avó
morrera naquela tarde. Por não tê-la levado ao hospital mesmo depois de tanto
implorar, o primeiro sentimento a tomar conta da garota foi o ódio por sua tia.
A garotinha
chegou ao cemitério e teve um choque. Não reconhecia sua avó: os olhos de
concha estavam fechados, a boca não esboçava o sorriso largo de sempre, os
braços estavam cruzados e não chamavam a menina para um caloroso abraço como de
costume. Sentiu-se revoltada e passou por sua cabeça que a culpa era da própria
avó por não ter lutado o suficiente para estar em vida com ela, mas
envergonhou-se por tal ideia. Tentou lembrar-se de algo bom e viajou para um
momento vivido com a avó pouco tempo antes, uma espécie de “despedida”. Sentindo
o aroma das bergamotas entrar pelas narinas, fechou os olhos e imaginou o sol
quente batendo em seu corpo e no da avó, a grama macia na qual estavam
deitadas, a bergamoteira acima delas, o aperto no peito que sentia – e que
perdurava até o momento – naquela tarde de domingo. “Eu sempre vou te amar, meu
anjo”, disse a avó. “Será que ela sabia que cinco dias depois iria para o
hospital e nunca mais voltaria?”, perguntou a garota. Isso é uma resposta que
nunca saberia, pois a única pessoa que poderia responder já não estava aqui.
Quase dez
anos depois, ainda é difícil pensar naquela tarde. A sensação de angústia é
praticamente automática. Foi necessário a garotinha de nove anos, que tinha
acabado de perder a avó, ter vivido outros nove anos para entender as lições
que a morte, logo, a ausência de alguém pode ensinar. A principal delas é a de
que as pessoas devem partir sem que tentemos culpar a outros ou a elas mesmas por
isso, como a garota fez inicialmente com sua tia e com a própria avó. Mesmo
sofrendo e sentindo saudades, a menina sobreviveu; ajudou sua família a superar
a perda de maneira muito valente sem nunca se esquecer do que a avó representou
em sua vida.
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