1ª
Versão
Por Aluno 44
Sempre me disseram que ano de vestibular é um estágio de
autoconhecimento e muita dedicação. Não
pelo ano em si, mas pela escolha da futura especialização. É um período de
muitas horas perdidas de sono, tensão, estudo e, principalmente, reflexão. Já o
meu ano foi um pouco diferente, em 2013 (ano em que fiz cursinho
pré-vestibular) a licenciatura me escolheu e, mais do que isso, me acolheu de
maneira tão calorosa que não pude recusá-la.
Com 15 anos comecei o meu interesse por cinema. Não
sei dizer com precisão como isto aconteceu, mas lá estava eu entregue a sétima
arte. Passava dias inteiros assistindo filmes, pesquisava resenhas, detalhes
sobre as produções, curiosidades e até estudava a teoria cinematográfica.
Tornei-me uma espécie de Isabelle (personagem de The Dreamers) com citações de
grandes filmes, discussões sobre diretores e uma lista interminável de filmes
pra assistir. Foi enturmada neste meio que descobri o Jornalismo Cultural e foi
amor a primeira vista! A profissão consiste, basicamente, em fazer resenhas e
divulgações de obras cinematográficas, livros, discos, enfim, produtos de arte.
Eu já tinha milhares de planos pra minha profissão, inclusive um grande
objetivo, que era trabalhar para a revista Cult. Comprei livros sobre o tema,
assistia vídeos de profissionais comentando sua rotina, queria saber tudo sobre
isto que me parecia tão certo pra mim.
O tempo foi passando, o amor pelo cinema continuava
lá, mas já dava mais espaço pra minha amante mais antiga. Aquela que independente
do atual relacionamento sempre esteve esperando pra ser acolhida. A às vezes é
mais deixada de lado, mas em outras épocas tem uma participação mais ferrenha
nas minhas horas de prazer: a literatura. Eu estava em seus braços novamente e
completamente entregue a ela. Agora, então, eu já tinha dois temas de interesse
para tratar em minhas resenhas e o jornalismo continuou me atraindo.
Formada no ensino médio e em um cursinho
pré-vestibular, comecei a estudar muito para entrar no curso que tanto queria:
jornalismo. Eram horas de estudo, cerca de 6 horas por dia, tirando o tempo de
aula. Acordar às 7 horas, tomar café, me arrumar, tudo isso até as 7h30, ir pra
aula, assistir todas as aulas, voltar pra casa, almoçar e estudar até a noite.
Essa foi a minha rotina até junho, quando comecei a cansar e me questionar.
Comecei pensando se tudo aquilo era realmente
necessário e, depois, se era o que eu realmente queria. Ao mesmo tempo que
olhava a aula de três professores que me encantavam muito: Gabriel Torres
(literatura), Marcos Marchy (história) e, principalmente, Edir Vieira
(história). Eu ficava encantada com a facilidade de passar tanto conhecimento
e, mais do que isso, com o amor que passavam durante as aulas.
Em maio fui em meu primeiro ato. Chovia muito e tinham
cerca de 7 mil pessoas na rua. Este foi o primeiro de tantos naquela “primavera
de junho”, como chamam os historiadores. Junto com os protestos, o interesse
pela política e pela sociologia se fez em mim. Pesquisas, artigos e livros me
acompanhavam na construção de um pensamento politizado. E dentro destes estudos
a palavra “educação” aparecia com frequência como forte guerreira contra as
desigualdades sociais – se colocada de maneira a beneficiar esta causa.
Em julho, depois de muito pensar, aconteceu o inevitável, a idéia de ser educadora me
abraçou de maneira tão firme que não quis mais soltá-la. Ela tinha me escolhido
e eu, aceitado com o maior sorriso no rosto esta escolha. Mas faltava responder
uma pergunta: com que área educacional eu trabalharia? Veio então, mais uma
longa jornada de pensamento.
História ou Letras? Qual teria mais a ver comigo? Isso
levou mais um mês. Por agosto, depois de muito pesquisar sobre as duas áreas
decidi. A História sempre me interessou por explicar tantos problemas que hoje
existem, por me ajudar a entender o pensamento atual e, com isso, desconstruir
alguns preconceitos e equívocos que eu mesma cometo. Mas e a literatura, não
faz parte de tudo isso? Os livros que eu li me ajudaram na minha formação como
pessoa. Jorge Amado me ensinando sociologia, Mia Couto me ensinando sobre o
sofrimento do povo africano, Gabriel Garcia Marquez me mostrando como é
possível amar um livro. De uma maneira ou de outra, a literatura faz parte da
construção de pensamento coletivo ou individual, faz parte da formação de
valores de uma sociedade. Foi entendendo isso que optei pela Letras. Como
resistir as letras que me acompanharam ao longo da minha caminhada?
Tomada à decisão, consegui voltar a estudar e o
resultado do estudo se deu no dia 19 de janeiro de 2014. O resultado da decisão
se dá diariamente com esse encanto que sinto por este curso e por ministrar uma
aula. Hoje não tenho dúvidas que aquelas reflexões me levaram a fazer a acolher
a profissão certa. Sempre digo que a licenciatura me escolheu pois, de certa
maneira, sempre fui professora, mesmo sem saber. Só faltava algo acontecer para
eu refletir e me conhecer um pouquinho mais.
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