Aluno 162
1 Versão
Quando aconteceu, eu não sabia. O meu gosto por contar
histórias começou de noite, no meu quarto, mais especificamente na minha cama,
com a minha mãe. Naquela época, eu não sabia escrever, muito menos ler, e as
histórias, na maioria das vezes contos de fadas, eram contadas para mim
oralmente, até eu pegar no sono. Eu até tinha livros, os quais folheava durante
o dia, mas não eram tão gostosos quanto me encontrar com Morfeu ao som da voz
de minha mãe.
Após ser alfabetizada, o papel de grande
incentivadora às histórias passou -e continua até hoje- à minha irmã, Paolla.
Gradualmente, os livros iam ganhando mais páginas -na inocência de minha
infância, isso era um sinal de maturidade- até chegarem a saga que sempre terá
casa em meu coração, a história que foi um dos motivos para eu começar a
escrever. Eu queria ser a J.K Rowling. Meu primeiro amor literário me tragou
para dentro de si. Aprendi quadribol com o Harry, lutei com Voldemort, chorei
quando o Dobby morreu, chorei de novo quando Rony beijou Hermione, e chorei
mais do que todas as outras vezes quando fechei o sétimo, e último, livro.
Desde então, a paixão pelo poder das palavras foi apenas crescendo: a ideia de
criar um mundo me deixava extasiada e eu também queria fazer parte desse
fantástico processo mimético. Queria um universo só meu. E eu o criei, tijolo
por tijolo, palavra por palavra. Porém, meu mundinho nas nuvens, escrito com a
minha pouca habilidade de pré-adolescente, sobreviveu pouco.
“Você não pode ser escritora”. “Escrever não é um trabalho”.
“Escrever não da dinheiro”. “Você é muito nova, não entende como o mundo
funciona”. Dos 13 aos 17, produzi muito pouco. Textos para o colégio feitos
contra minha vontade e algumas anotações nos meus diários. Me disseram que
profissão para quem gosta de escrever era jornalismo e, visto que minha
impressão do curso de Letras era puramente gramatical, decidi ser redatora.
Entretanto, assim como na famosa “jornada do herói” o personagem recebe ajuda
de um sábio ancião, o qual lhe oferece conselhos, ensinamentos e o guia para o
caminho certo, eu também obtive ajuda. Meu sábio ancião personificou-se na
forma de minha irmã: “Por que você quer fazer jornalismo? ” “Porque eu gosto de
escrever, oras” “Então por que não faz letras? ” “Porque eu não
gosto de gramática”. Nesse momento, ela me pegou, como costuma dizer, “pela
patinha”, e sentou-se comigo na frente do computador. Ao abrirmos o currículo
de Letras, percebi que, por um triz, não havia entrado na faculdade errada. E a
ajuda de Paolla não termina aí. Minha sábia anciã sempre soube que eu gostava
de escrever, então, me apresentou, também, o Curso Superior Tecnólogo de
Escrita Criativa na PUCRS, o qual estou cursando atualmente, junto com Letras,
na UFRGS.
Como comecei a escrever? Bem, me parece um equívoco tentar
responder essa questão. Meu começo ainda nem chegou no meio, quem diria no fim.
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