sábado, 3 de junho de 2017

Capítulo I

Aluno 162
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Quando aconteceu, eu não sabia. O meu gosto por contar histórias começou de noite, no meu quarto, mais especificamente na minha cama, com a minha mãe. Naquela época, eu não sabia escrever, muito menos ler, e as histórias, na maioria das vezes contos de fadas, eram contadas para mim oralmente, até eu pegar no sono. Eu até tinha livros, os quais folheava durante o dia, mas não eram tão gostosos quanto me encontrar com Morfeu ao som da voz de minha mãe.
Após ser alfabetizada, o papel de grande incentivadora às histórias passou -e continua até hoje- à minha irmã, Paolla. Gradualmente, os livros iam ganhando mais páginas -na inocência de minha infância, isso era um sinal de maturidade- até chegarem a saga que sempre terá casa em meu coração, a história que foi um dos motivos para eu começar a escrever. Eu queria ser a J.K Rowling. Meu primeiro amor literário me tragou para dentro de si. Aprendi quadribol com o Harry, lutei com Voldemort, chorei quando o Dobby morreu, chorei de novo quando Rony beijou Hermione, e chorei mais do que todas as outras vezes quando fechei o sétimo, e último, livro. Desde então, a paixão pelo poder das palavras foi apenas crescendo: a ideia de criar um mundo me deixava extasiada e eu também queria fazer parte desse fantástico processo mimético. Queria um universo só meu. E eu o criei, tijolo por tijolo, palavra por palavra. Porém, meu mundinho nas nuvens, escrito com a minha pouca habilidade de pré-adolescente, sobreviveu pouco.
“Você não pode ser escritora”. “Escrever não é um trabalho”. “Escrever não da dinheiro”. “Você é muito nova, não entende como o mundo funciona”. Dos 13 aos 17, produzi muito pouco. Textos para o colégio feitos contra minha vontade e algumas anotações nos meus diários. Me disseram que profissão para quem gosta de escrever era jornalismo e, visto que minha impressão do curso de Letras era puramente gramatical, decidi ser redatora. Entretanto, assim como na famosa “jornada do herói” o personagem recebe ajuda de um sábio ancião, o qual lhe oferece conselhos, ensinamentos e o guia para o caminho certo, eu também obtive ajuda. Meu sábio ancião personificou-se na forma de minha irmã: “Por que você quer fazer jornalismo? ” “Porque eu gosto de escrever, oras” “Então por que não faz letras? ” “Porque eu não gosto de gramática”. Nesse momento, ela me pegou, como costuma dizer, “pela patinha”, e sentou-se comigo na frente do computador. Ao abrirmos o currículo de Letras, percebi que, por um triz, não havia entrado na faculdade errada. E a ajuda de Paolla não termina aí. Minha sábia anciã sempre soube que eu gostava de escrever, então, me apresentou, também, o Curso Superior Tecnólogo de Escrita Criativa na PUCRS, o qual estou cursando atualmente, junto com Letras, na UFRGS.
Como comecei a escrever? Bem, me parece um equívoco tentar responder essa questão. Meu começo ainda nem chegou no meio, quem diria no fim.



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